Palácios Equidistantes, Destinos Antagônicos: Os 2890 km que Separam Ideologias


Há um dado geográfico preciso que passa despercebido, mas carrega um profundo significado simbólico: cerca de 2.890 quilômetros. Esta é a distância aérea entre o Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, em São Luís, e dois outros palácios de governo continental: o Palácio de Miraflores, em Caracas, e o Palácio de López, em Assunção.

Palácio dos Leões (Maranhão)
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2890 km                               2890 km
P. de Miraflores                          P. de Lopez
(Venezuela)                              (Paraguai)

Três sedes de poder. Duas medidas idênticas. Dois destinos radicalmente opostos. A simetria numérica oferece uma metáfora perfeita sobre o peso das escolhas políticas.

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Seguindo a linha noroeste de cerca de 2.890 km, chega-se ao Palácio de Miraflores. É a capital de um experimento político que encapsula o destino final da esquerda radical no poder: a transformação de uma nação rica em um Estado falido. Sob a sombra desse palácio, a ideologia suplantou a realidade, o controle esmagou a liberdade e a promessa de igualdade degenerou em miséria uniforme. Os 2.890 km até Miraflores medem a distância entre a ordem e o colapso.

A outra linha, de idêntica extensão rumo ao sudoeste, leva ao Palacio de López. Em Assunção, o palácio presidencial é o centro de um projeto diferente. O Paraguai, sob governos de orientação liberal-conservadora, optou por um caminho de pragmatismo econômico: estado enxuto, impostos baixos e abertura comercial. O resultado, visível a partir daquele palácio, não é a perfeição, ainda persistem muitos problemas, mas é um dos crescimentos econômicos mais sustentados da América do Sul. É a demonstração de que a confiança na sociedade civil gera dinamismo.

E no ponto de origem, o Palácio dos Leões. De suas sacadas, poder-se-ia, em teoria, mirar com a mesma facilidade uma direção ou outra. No entanto, a tradição política que nele se instalou há décadas escolheu um alinhamento muito mais próximo ao espírito de Miraflores do que ao de López. É uma esquerda menos ideologicamente agressiva que a venezuelana, mas igualmente fundada no paternalismo estatal, no clientelismo e na desconfiança crônica em relação ao setor privado. O resultado, dentro e fora dos muros do palácio, é conhecido: o Maranhão não desaba, mas também não decola. É a estagnação como política de Estado.

Resumindo a desgraça que pode representar uma corrente ideológica, vemos que um país que não tem nem litoral consegue dar certo, enquanto um outro país maior, mais populoso e com as maiores reservas de protróleo do planeta exibe ao mundo a proesa de ter dado tão errado, tudo por causa da insistência na esquerda, o caminho mais rápido para a estagnação, o retrocesso e o fracasso.

A conclusão imposta pela geografia é inevitável. A mesma distância física (cerca de 2.890 km) separa o poder maranhense de dois modelos de gestão pública. Um, o de Assunção, que libera as energias criadoras da sociedade, com todos os seus riscos e imperfeições. Outro, o de Caracas, que as sufoca em nome de um controle total, com todas as suas consequências previsíveis e trágicas.

Estranha visita venezuelana no Maranhão, em 27 de março de 2008


O Palácio dos Leões, portanto, encontra-se em uma encruzilhada numérica. Está literalmente a um mesmo número de quilômetros da rota da prosperidade possível e da rota da ruína garantida. A tragédia contemporânea é que seus ocupantes, eleição após eleição, insistem em governar como se a única lição viável viesse de noroeste, ignorando por completo o exemplo, tão próximo em quilômetros, tão distante em concepção de mundo, que brilha a sudoeste. O povo, que habita as ruas além do luxo do palácio, é quem paga o preço dessa navegação cega.

Estrela Destra

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